Foram 18 dias e “meio” fora de casa. Mais de 11.600 Km percorridos. Mais de 130 horas dirigindo.
Conheci muitos locais, vi muitas paisagens, conheci pessoas diferentes, enfim, conheci !
Uma das coisas que mudou em mim foi meu pensamento em relação aos nossos vizinhos Argentinos. Achei que teria problemas por lá. Que bom ter me enganado. Fui muito bem tratado em todas as situações.
Encontrei pessoas gentis, amáveis e sempre dispostas a ajudar. A Argentina passa por um momento delicado (maio/2008) em sua história, mas os Argentinos me deram um show de hospitalidade, respeito, honestidade, gentileza.
Lí em algum lugar que nós (a maioria de nós, claro) temos um preconceito contra os Argentinos porque ‘trazemos’ para nossas relações pessoais a ‘rixa/disputa’ que há em nosso futebol. Mas eles, os Argentinos, não trazem isso não.
Hoje a Argentina é um excelente destino para nós, brasileiros. Nossa moeda está forte, a Argentina possui lugares de rara beleza, e agora a polícia “Gendarmeria Nacional” está cuidando das estradas, então, podemos ir de carro sem termos nenhum problema – claro, com toda a documentação em ordem
Parabéns aos Argentinos !!! Com certeza voltarei. Mar del Plata, Península Valdez, Ushuaia, El Calafate, Puerto San Julian, Córdoba e outros são locais que eu voltaria com certeza.
Até então, eu admirava muito o povo Uruguaio… agora, o povo Argentino conta também com minha admiração e meu respeito.
Muito obrigado Argentina, muito obrigado Argentinos. Vocês foram nota 10 em toda a minha viagem, toda, sem exceção nenhuma.
E aos novos amigos, um grande abraço. Nos vemos na próxima !!!
18o Dia : Santa Fé -> Pato Branco
23 de Maio de 2008
De Santa Fé até Pato Branco, pela “Ruta 14″ são apenas 1.150 Km. Mas eu estava ‘traumatizado’ com a “Ruta 14″ da viagem anterior que tinha feito para o Uruguai/Argentina. Foi nessa “ruta”, na minha viagem anterior, que ví a polícia mais corrupta da Argentina.
Dessa vez, não havia tido nenhum problema com a polícia. Como já disse – ou escrevi, não lembro – a polícia da Argentina agora era somente a ‘Gendarmeria Nacional’ e eles tinham sido nota 10 comigo até hoje. Foram mais de 7 ou 8 ‘paradas’ pela polícia e em nenhuma – eu disse nenhuma – vez eles tentaram complicar ou me extorquir. Parabéns novamente à Polícia Argentina.
Bom, mas em função do ‘trauma’ da viagem anterior, e em função de conhecer a o outro caminho, optei por escolher ir à Pato Branco passando por Resistência/Corrientes, indo até Posadas e então chegando em casa. Faria uns 200 Km a mais, mas pela estrada e por já conhecer, achei que valia a pena.
Ledo engano. Sabe aquelas decisões que você toma e depois, digamos, se arrepende ? Pois é… essa foi uma delas.
Saí de Santa Fé cedo, por volta das 5:00 da manhã. Teria 1.300 Km pela frente e esperava chegar em casa até as 18 ou 19 horas (de hoje, 6a feira, 23 de Maio)
Eu já havia pego, até então, ‘reclamos (protestos)’ de agricultores – vários, porém nenhum ‘trancando’ a estrada, tinha pego de taxistas e remisseiros – perdi 4 horas em Comodoro Rivadavia aguardando abrirem a estrada e tinha pego de petroleiros, porém nesse tive sorte e cheguei quando eles tinham aberto a estrada.
Mas o pior ainda estava por vir. No pedágio entre Santa Fé e Resistência vejo um aviso colado no ‘caixa’ : “Corte total da Ponte Belgrano”
Peço para a atendente e ela me explica que não sabia como estava, mas que eles (???) estavam segurando por um período e liberando por um período (ela me falou em 1 hora). Pensei “Bom, quando eu chegar lá eles liberam ”
Ainda no caminho fui parado novamente pela Gendarmeria, olham documentos e me pedem onde vou. Digo que vou para o Brasil. O policial dá uma risadinha e diz “Não tem como ir, a ponte está fechada”. Pergunto o porquê, ele me diz “reclamo/paro”. Eu digo “De agricultores ???” e ele “Não, da polícia”. Polícia !??!!?!?! Mas como ? Ele só rí e não sabe me responder. Me explica que os policiais da província (estado) de Corrientes (divisa com Resistência) reinvidicavam melhores salários e que haviam fechado a ponte desde as 7:00hs da manhã. Eram por volta de 10:20hs
Eu tinha, naquela hora, a opção de voltar cerca de 450 Km e ir por Santa Fé pegando a “Ruta 14″, mas pensei “Eles vão abrir essa ponte logo”
Ledo engano novamente Cheguei em Resistência as 11:00hs da manhã… a história toda daria um relato a mais, mas enfim, por volta de 2:30hs da madrugada eles liberaram a ponte. Eu fiquei lá, num posto de combustível bem próximo a ponte, esperando.
Lá o calor chegou a 35 graus com o carro na sombra… é mole ?!?!?! De -9 para 35 é uma senhora diferença
Foram mais de 14 horas esperando. Eu ia no posto, tomava alguma coisa, voltava pro carro, saia caminhar, enfim, matava o tempo como podia.
Lá conhecí 2 “gestores de unidades autonômas” (também conhecidos como caminhoneiros ), o Daniel e o Alessandro, ambos de Curitiba. Foi legal porque fizemos amizades e juntos matamos o tempo. Eles trabalham para a ALL e viajam seguidamente para a Argentina. Demos muita risada juntos e matamos o tempo mais fácil.
Às 2:30hs quando abriu a ponte, ‘toquei’ direto para casa. 5:00hs da manhã fui vencido pelo sono – eu não havia dormido – e encostei num posto fiscal para tirar um cochilo de 45 minutos.
Muita chuva… chovia mas não tinha neve hehehehe. Quando o dia clareou foi mais fácil dirigir. Passei Posadas e rumei para Eldorado depois Bernardo Irigoyen.
Cheguei na fronteira por volta das 11:00hs. Trâmites feitos e estou no Brasil novamente.
Ligo para a esposa pela primeira vez em 18 dias e “meio” Chegaria para o almoço em casa. Dito e feito, 12:30hs estava chegando.
Os cachorros latiram, mas não sei se sorriram (eles ficam num canil longe do portão )
Eu chego em casa cansado, com sono, muito sono, muito cansado, mas muito, muito feliz !!! Realizei um sonho de longa data, fiz 11.600 Km e tudo na mais perfeita ordem. Enfim, uma viagem abençoada !
Agora vem o pior : desfazer as malas e organizar a bagunça. Mas eu gosto… minha cabeça fervilha com os locais que conheci, e esse blog vai ajudar a perpetuar minhas lembranças.
*Update : Hoje é 5a feira, 29 de Maio de 2008. Estou terminando de fazer upload nos vídeos. Ainda me emociono com algumas imagens e lembranças, e fico pensando “quando será a próxima ???”
Eu aproveitei… era o fim do mundo mesmo !!!
Fotos : Clique aqui para ver as (poucas) fotos desse dia.
17o Dia : San Antonio Oeste -> Santa Fé
22 de Maio de 2008
Saio cedo do hotel, ainda escuro. Mas nada de gelo ou neve na pista. Oba !!!
Consigo andar bem, as retas são grandes. Nada de novidade. Passo por Córdoba e sigo até Santa Fé.
Como é bom ver o dia amanhecer cedo, ver o sol… que saudades
Venço os 1.500 Km que me separam de Santa Fé.
Aqui já anoitece mais tarde, então pude andar um pouco mais. Nenhum imprevisto na estrada. Tudo tranquilo.
Em Santa Fé encontro um bom hotel por 115 pesos.
Janto no restaurante do hotel, que a princípio me parecia pequeno, mas era grande e tradicional.
Como um ‘surubi ao rockford’ excelente. Acho que o melhor peixe – tirando salmão – que já comi até hoje.
Falo com a família… a esposa está contente por eu estar voltando para casa. Brinco que quando chegar vou cantar “eu cheguei em frente ao portão… meu cachorro me sorriu latindo… eu voltei”
PS : Temos 2 pastores alemão
Agora ‘apenas’ 1.300 Km me separam de casa. Estou ‘ansioso’ para chegar assim como estava ansioso para conhecer Ushuaia
Amanhã meu objetivo é sair cedo para chegar em casa ali pelas 18 ou 19 horas. Acho que é possível.
Vou dormir… ah, lá para o sul era normal pedir “habitacion con calefacion?”. Aqui tem que pedir se tem “aire condicionado” pois agora, à noite, está em torno de 28 graus. É mole ?!?!?!
Até amanhã !!!
Fotos : Clique aqui para ver as (poucas) fotos desse dia.
16o Dia : Comodoro Rivadavia -> San Antonio Oeste
21 de Maio de 2008
Durmo bem na ‘hospedage’ da noite anterior. Acordo e vou para a saída da cidade com idéia de ir até Trelew.
Chego às 8:10hs na saída da cidade. Estrada trancada por causa da neve. Previsão de abertura : 10:00hs.
Espero até 11:15hs quando a estrada abre. Sigo viagem. Tiro algumas poucas fotos para ‘registrar’ a volta. Sem vídeos.
Chego em San Antonio Oeste (assim, sem o “de” mesmo) a noitinha. Faço apenas 700 Km pois saí tarde e peguei muita neve na estrada e também muito movimento.
A cidade é pequena, na beira da rodovia. Acho um hotel, faço um lanche e me preparo para o próximo dia.
Pergunto se dalí até Córdoba terei problema com gelo/neve. Me avisam que não. Suspiro aliviado. Já não aguentava mais andar no gelo/neve.
Vou dormir. Hotel simples porém barato (70 pesos). Não conto com café da manhã pois quero sair cedo. Meu objetivo amanhã é chegar em Santa Fé, cerca de 1.500 Km daqui. Sei que se sair cedo e não tiver gelo/neve, posso fazer tranquilamente.
Vamos ver como será o dia de amanhã !
Eu fui, de KIA até o fim do mundo, e agora estou voltando
Fotos : Clique aqui para ver as (poucas) fotos desse dia.
15o Dia : El Calafate -> Comodoro Rivadavia
20 de Maio de 2008
São quase 9 horas da manhã quando saio do Hotel Edênia em El Calafate. Prometi para mim mesmo que um dia volto, levando minha esposa junto o Hotel Edênia é muito bom, muito bom mesmo.
Meu destino é Comodoro Rivadavia, cerca de 1.100 Km de distância. Espero não pegar muita neve no caminho, mas depois vejo que minha esperança é vã
A princípio penso que não filmarei muita coisa, mas durante o percurso pego muita neve, muita neve mesmo. A paisagem fica muito bonita ‘acompanhada’ de neve
Mas a estrada também fica perigosa por causa do gelo na pista. Cautela é o nome do jogo !
Tudo corre normal… exceto por eu não ter dado ouvidos aos conselhos que recebi. Todos com quem falei, me disseram que em Comodoro Rivadavia os hotéis são muito caros. Mas eu imaginei “ah, caro são todos os hotéis que eu ví até agora”. Mas eu estava enganado.
Cheguei em Comodoro Rivadavia a noitinha e fui procurar hotel. Puxa, comentei com a Mari (minha amana esposa) que o maior ‘stress’ da viagem é achar hotel. Ou melhor, achar a melhor equação ‘custo-benefício’ para um hotel.
Realmente aqui em Comodoro os hotéis são caros pra caramba… os hotéis melhores ou estão lotados ou tem preços como “490 pesos” para uma noite. Absurdo !
Hotéis (se é que podem ser chamados assim) simples, muito simples, por 200 pesos. Saber que paguei 230 pesos em um excelente hotel em Trelew, ou mesmo no Edênia, paguei 80 dólares cada diária.
Mas aqui é assim… caro e tudo lotado. A cidade é um pólo petrolífero, e as companhias de petróleo ‘lotam’ os melhores hotéis. O que sobra cobra o que quiser.
Fui em 5 hotéis e todos lotados. Ligamos, do estacionamento, para mais 2. Lotados !
Até que, tarde da noite, achei uma ‘hospedage’ por 120 pesos (arghhhhhhh). Pense numa ‘hospedage’, mas era até limpa e talz…
Hoje tomei uma decisão : vou ‘encurtar’ minha viagem. A saudades da família, principalmente da esposa é muito grande, mas grande mesmo hehehehehe
Então, como eu não tenho obrigação nenhuma, e como sou livre para decidir o que fazer, optei por deixar a ‘outra parte’ da viagem para uma próxima vez. Sei que estou ‘do lado’ de Bariloche, mas se optasse por ir a Bariloche gastaria pelo menos uns 5 dias a mais.
Decido então voltar para casa amanhã… começar a voltar, pois estou há cerca de 3.300 Km de casa.
Faço isso por opção própria, por decisão minha. Fico ‘com crédito’ para uma próxima aventura quem sabe “De KIA até o Chile”
Brinquei com minha esposa dizendo “a emoção venceu a razão”, pois se eu for seguir minha razão, aproveito e vou para Bariloche e Mendoza. Mas prefiro seguir meu coração e ir para casa. Hoje são 15 dias fora, e segundo meus cálculos, levarei mais uns 3 ou 4 dias para chegar em casa.
Para quem nunca tinha ficado mais do que 5 ou 6 dias fora, está de bom tamanho
É isso… amanhã começo a voltar para casa. Digo que a viagem valeu muito a pena… cada paisagem, cada local que conheci, cada visual. Valeu cada centavo investido
De amanhã em diante os relatos/fotos serão pequenos (se é que existirão). Minha previsão é fazer uns 1.000 Km por dia, mas vamos ver como será amanhã pela manhã pois hoje ví muita neve.
Estou realizado !!! E o restante do trajeto vou deixar para fazer numa próxima vez. Já tenho idéia do roteiro, mas nem vou comentar para não ser ‘censurado’ pela esposa
Fique comigo… vamos ver como serão meus últimos dias na Argentina !
Acordo cedo pois tenho o “Passeio de Todos Los Glaciares” para fazer. O café da manhã do ‘Hotel Edênia’ segue o padrão 4 estrelas (argentino, mas um café da manhã muito bom).
No café estou só, pois ainda é cedo. Entra um casal e diz um “bom dia” meio em ‘portunhês’ Digo “bom dia ou bon dia”
Grata satisfação quando ele me responde em bom português “bom dia”.
Conversa vai e vem, descobri que são um casal (José Renato e Heidi) de Brasília-DF e que iriam fazer o mesmo passeio que eu.
Era muito bom encontrar brasileiros no mesmo passeio, e no mesmo hotel (depois fui descobrir mais ‘compatibilidades’ entre nós )
Saio do hotel às 7:30hs pois deveria estar em ‘Puerto Bandeiras’, o local onde saí o barco, às 8:30hs. Gelo no vidro, para variar, e o ‘anti-congelante’ que haviam me vendido na noite anterior não era ‘anti-congelante’. -3 graus e foi só ‘esguichar’ água no para-brisas que ela congelou na hora – mais gelo ainda.
Não me restava outra alternativa senão abrir o vidro, colocar ‘meia’ cabeça pra fora e ir dirigindo com aquele vento batendo no rosto – e que vento
Ao chegar no porto, grata satisfação : o barco era um ‘catamaran’ grande, bonito, com muito conforto. Dentro, parecia um ônibus, com lugares reclináveis, quente, telas lcd, etc. Enfim, uma boa pedida.
Estava clareando o dia quando saímos para o passeio. Puxa, nunca senti tanto frio na vida
A temperatura estava na casa de 1 a 2 graus positivos, mas o vento… brrrhhhhh e eu não ia ficar dentro do barco, sentadinho, quietinho… eu saí lá para fora e fiquei curtindo a paisagem. E que paisagem !
O passeio tinha previsão de iniciar as 8:30hs e terminar apenas as 16:30hs (e assim foi). Foi muito tempo dentro do barco, mas foi muito legal mesmo (Obrigado ao Marlos e a Caroline, que encontrei em Ushuaia, e que me disseram “não perca o passeio pelos glaciais”)
Descrever nesse relato tudo o que ví hoje é impossível. É como tentar descrever o Glacial Perito Moreno. Visitamos o Glacial Upsala, o Sperazini, a Bahia Oneli e outros glaciais menores.
Minha sugestão é que você gaste um tempo vendo as fotos e os vídeos de hoje, tenho certeza que você vai gostar !
No passeio, o José e a Heidi já tinha virado bons amigos. Tiramos fotos juntos, brincamos, almoçamos juntos (obrigado pelo convite Heidi ). Ainda no barco descobrimos algumas ‘coincidências’. Ele também é motociclista (tem uma Boulevard 800) e eles dois praticam mergulho. Pode isso ?!?!?
Além de serem um casal simpático pra caramba, ainda tínhamos mais coisas em comum. Depois do passeio de barco, convidei ambos para irem comigo, de carro, ops, de Carnival conhecer a Laguna Nimes, mas a mesma estava fechada.
Passeamos pela cidade e passamos ao lado de um lago, já próximo do hotel. A Heidi comentou “Esse lago, no inverno, fica todo congelado e o pessoal vem aqui patinar”. Fomos lá conferir se já estava meio congelado. E estava.
* Update : Sabe nas viagens que você faz e uma coisa fica na sua memória como “a mais divertida” ? Então… para mim foi ficar lá no lago semi-congelado, junto com o José e a Haidi, brincando de jogar pedra e as pedras ‘picarem’ e não afundarem, tentanto caminhar no lago, brincando com gelo. Enfim, nos divertimos pra caramba, como crianças, e foi muito legal
À noite combinamos de ir jantar juntos, comer ‘pescados’. Boa janta, bom vinho e boa companhia. O dia terminava de maneira perfeita.
Amanhã eu sigo rumo a Comodoro Rivadavia, e eles continuam aqui mais um dia (vão fazer trekking no Glacial Perito Moreno, quase me deu vontade de ir junto )
Depois daqui, eles vão para Ushuaia, de onde eu vim. Trocamos algumas dicas pois eu devo ir a Bariloche, de onde eles vieram.
Hoje foi a ‘cereja do bolo/pudim’. Conhecer Uhsuaia, conhecer o Perito Moreno e hoje conhecer todos esses locais, foi incrível – ou melhor, bem crível.
Como a natureza é maravilhosa, como as paisagens são lindas, como é diferente de onde moramos. Acho que viajar ‘abre’ um pouco seu entendimento, sua noção e percepção de tempo e espaço.
Amanhã saio cedo rumo a Comodoro Rivadavia. Me avisaram que tem gelo pelo caminho. Brrrhhhh… eu tremo por dentro e por fora !
Mas já estou ‘craque’ em dirigir na neve, com neve, no gelo, com chuva, etc E a Carnival tem se saído muito bem !
Vamos ver o que me espera amanhã ! Até aqui valeu cada kilometro, cada metro, cada centavo gasto. Valeu demais !
13o Dia : Rio Gallegos -> El Calafate
18 de Maio de 2008
O hotel do dia anterior era muito simples. Porém era limpo e tranquilo. O café da manhã também era simples, mas melhor que outros que já havia tomado nessa minha ‘aventura’
Eram por volta de 8:30hs quando saí do hotel. A temperatura estava baixa, na casa dos -4/-3 graus. Mas eu íria, novamente, pegar temperaturas ainda mais baixas.
Como o casal argentino do dia anterior havia me aconselhado, andei com cuidado pois achava que iria encontrar gelo na pista. No início nada de gelo, então pude andar bem por um bom tempo.
Às 9:15 da manhã já marcava -6 graus… brrrhhhh
Por vários kilômetros nenhuma novidade. Pista boa, retas, paisagem já ‘conhecida’ pelas rutas anteriores. O frio continuava, nada de novidade.
Mas a expectativa de chegar em El Calafate, e de conhecer o Glacial Perito Moreno, essa sim era grande
Por volta de 10:30hs começa a aparecer neve no acostamento e nos morros ao lado. Ao mesmo tempo em que a paisagem é bonita, me deixa com temor pois não tenho mais as ‘cadenas’ e não saberia o que fazer caso aparecesse neve na pista.
Nessa hora, registro a menor temperatura de toda a minha viagem até aquele momento : -8 graus. Mas passaram-se poucos minutos e o termometro registrou -9. Era a menor temperatura da viagem até alí.
E eu ainda estava há uns 200 Km do Perito Moreno (o Glacial Perito Moreno fica à 80 Km depois de El Calafate). Naquela hora eu já estava decidido a ‘tocar’ direto ao Perito Moreno quando chegasse a El Calafate, e somente quando voltasse iria atrás de hotel.
Decidi isso pois o dia estava bonito, com sol, sem muitas nuvens. E eu não queria correr o risco de, no dia seguinte, pegar chuva ou neve e isso estragar um dos objetivos principais da minha viagem.
A paisagem começava a mudar. Ao longe se via já os ‘topos’ dos montes cobertos de gelo.
Nessa altura da viagem (por volta de 11:00hs) começa a aparecer gelo… e em alguns locais bastante gelo. Cautela ! Muito cuidado.
Uns kilometros antes de El Calafate havia uma descida, ingreme, com muitas curvas e muitos avisos de ‘precaucion’. Um carro que subia em direção contrária me dá vários sinais de luz. Noto pelo estilo da estrada que é um local perigoso. A pista coberta de gelo… testo os freios, o ABS começa a trabalhar imediatamente, sinal de que estava muuuuito liso
Noto que um carro sobe com ‘uma roda no asfalto e outra no acostamento (que por lá é todo de ripio)’. Imito ele na descida e noto que isso me dá mais segurança. Ando a 40 Km/h pois não quero um incidente por causa da pressa.
Realmente o local era muito liso, muito perigoso, e como se fosse na beira de um precípicio. Todo cuidado é pouco.
A paisagem é linda, está registrada nas fotos de hoje. Chego no ‘pé’ do morro sem nenhum problema e continuo viagem.
Chego em El Calafate mas apenas ‘passo’ pela cidade e rumo ao Perito Moreno. Para chegar lá tenho que entrar no ‘Parque Nacional dos Glaciares – entrada AR$ 40,00′.
Muitas paisagens bonitas… e agora paro de escrever esse relato. Tentar descrever a beleza do Glacial Perito Moreno é como tentar explicar o que é o amor. É quase impossível
As fotos e o vídeo de hoje falam por sí. Eu devo dizer que me emocionei ao vê-lo, ainda ao longe. De perto a emoção foi ainda maior. O lugar para ‘apreciá-lo’ é perfeito… dezenas de passarelas, de ferro, que levam você em vários pontos para ter várias vistas do local. Assistam o vídeo Vejam as fotos.
Cansado, depois de caminhar muito, vou ao restaurante anexo ao Parque e almoço. Pronto, estou realizado. Minha viagem tinha dois objetivos principais : conhecer Uhsuaia e conhecer o Perito Moreno. O ‘resto’ era apenas para aproveitar as ‘passadas’.
Volto à cidade e vou comprar o ‘bilhete’ para amanhã fazer o passeio “Todos Los Glaciares”. Acho o preço meio ‘salgado’ AR$ 240,00 mas todos dizem que vale a pena.
Pego indicação de hotel. Visito alguns e escolho o ‘Hotel Edênia’. Fantástico !!! 4 estrelas “mesmo”, muito confortável. Mateo, o recepcionista, excelente pessoa. Dei-me o luxo de ficar nesse hotel pois estava cansado de outros ‘hotéis’ em que passei.
Tomo um banho e como apenas um lanche no hotel mesmo. A viagem já valeu a pena. Por mim, poderia voltar para casa. Conhecer Ushuaia e conhecer o Perito Moreno eram duas coisas que sonhava há algum tempo.
A saudades de casa continua forte, mas ela é compensada por paisagens e locais como os que eu ví hoje. Nunca, em nenhum outro lugar, eu veria o que ví. Valeu a pena esses 13 dias longe de casa.
Amanhã vou fazer o passeio pelo lago Argentino, que vai até os outros Glaciais (Todos Los Glaciares é o nome). Vamos ver como vai ser. Talvez seja apenas a ‘sobremesa’ do que ví hoje
Cansado, venho pro quarto e me preparo para dormir. Vamos ver como vai ser o café de amanhã
12o Dia : Ushuaia -> Rio Gallegos
17 de Maio de 2008
Acordo cedo para os padrões de Ushuaia, tomo café, arrumo minhas coisas no carro e saio por volta de 8:00hs. Nessa noite não nevou tanto, então as ruas estavam mais limpas.
Ao sair de Ushuaia já vejo, no posto policial, a placa indicando que é obrigatório o uso de ‘cadenas’. Converso com o guarda até onde ele acha que eu devo ir com as ‘cadenas (correntes)’. Ele acha que até Rio Grande, cerca de 230 Km de Ushuaia.
Na neve, cautela e caldo de galinha, ops, caldo de galinha não dá pois você está dirigindo. Então somente cautela, muita cautela. Se seu carro tiver ABS, ótimo… se não tiver, cuide ao frear, pois se travar os pneus você sai da pista e vai sabe-se lá para onde.
Quando falava para o pessoal (hotel, loja, guarda) que iria a Punta Arenas, todos me alertaram quanto ao ‘Paso de Garibaldi’. É um local na cordilheira onde há montanha de um lado e precipício de outro, quase sem proteção. E quando neva, acumula muita neve ali por causa das montanhas. Medo é para os fracos
Saio em direção à estrada. Escuridão total e muita, muita neve.
No vídeo de hoje comento que aconteceram três coisas que eu jamais havia imaginado :
1) Ví na 5a feira paisagens lindíssimas com neve
2) Ví ontem, 6a feira, uma nevasca muito forte (para mim, que nunca tinha visto)
3) e hoje, dirigi na neve por muito tempo. Vai gostar de neve assim lá no Pólo Norte
Clareia o dia por volta de 9:00hs com o termômetro marcando -3 graus. Frio e neve era o cardápio do dia
Mas tudo vai indo tranquilo… nenhum susto, andando normalmente a 50-60 Km/h, depois do dia clarear, em alguns locais colocando até 80 Km/h por breves momentos.
A vantagem disso tudo eram as paisagens, os locais cobertos de neve, lagos semi-congelados, enfim, um sem número de imagens que vou lembrar pro resto da vida (e através desse blog, muitos outros vão poder conhecer ).
Em alguns locais, o vento levava o gelo/neve fina e criava um ‘neveoeiro’ sobre a pista. Bonito, mas ficava perigoso.
Se você quer ver muita neve, veja o vídeo de hoje. Branco é a cor de fundo
Numa aventura, sempre tem que ter alguma ‘interpérie’ não é mesmo ? Comigo não foi diferente. Próximo de Rio Grande, uma das ‘cadenas’ (a do lado esquerdo) rompeu. Tive que parar e tirar o restante dela para não danificar a Carnival.
Parei um Argentino que vinha do lado contrário e pedi para ele como estava a estrada de onde ele vinha. Disse-me que indo devagar não havia problemas. Contei para ele da ‘cadena’ que havia rompido e ele me sugeriu que deixasse a do outro lado. Fui mais devagar e com ainda mais cautela.
Chegando à uns 20 km de Rio Grande há um posto policial. Parei e pedi para ele se ainda precisava usar as ‘cadenas’. Ele olhou (no lado esquerdo) e disse “Que cadenas ?” Expliquei que tinha rompido uma e estava somente com a do outro lado.
Ele me disse que poderia tirar, ir devagar, cuidar no gelo, etc. Perguntou-me onde eu ia, respondi que iria para Punta Arenas, no Chile. Nessa hora ele falou “Mas para ir a Punta Arenas os Carabineiros do Chile (polícia) vão exigir que você tenha as ‘cadenas’”. Pedi à ele o porque, ele me explicou que é comum ter neve lá na estrada quando tem neve na estrada de Ushuaia (ficam quase em uma mesma linha).
Caramba, isso realmente não estava nos meus planos. Eu até poderia ir à Rio Grande, tentar consertar a que havia se rompido ou então comprar outra. Mas sabe quando você desanima ? Então, eu fiquei desanimado com aquela notícia. Mas ainda havia uma esperança.
Ele me disse para ir até a fronteira, onde eu entraria no Chile, e perguntar para um Carabineiro se ele sabia se estavam ou não exigindo as ‘cadenas’. Ainda há esperança
No caminho, eu já tinha praticamente desistido de Punta Arenas. Pelo que lí e pesquisei na internet, não há muita coisa para se fazer lá, mas mesmo assim iria pedir informação ao Carabineiro na fronteira.
Na fronteira, o Carabineiro me disse que não tinha certeza, mas achava que sim, que seriam necessário as ‘cadenas’. Nessa hora decidi que seguiria direto para El Calafate.
Na aduana conheci um casal de argentinos, de meia-idade, que moram em Ushuaia e estavam indo para El Calafate. Me pediram se eu conhecia a estrada. Disse que não. Me aconselharam a não ir, porque tinha neve num trecho da estrada, e também porque a previsão deles era chegar a El Calafate alí pelas 22:00hs. O carro deles tinha os pneus com cravos, mas eu estava sem as 2 ‘cadenas’. Viajar à noite, correndo risco de pegar neve e gelo ??? Não !!! Aventureiro sim, mas louco não
Seguindo a sugestão deles, parei em Rio Gallegos para dormir. Daqui até El Calafate são 320 Km. Segundo me informaram no hotel, não deve ter neve amanhã (não muito cedo, claro), mas pode ter gelo. Estou muito cansado, pois saí as 8:00hs da manhã de Ushuaia e cheguei em Rio Gallegos as 18:00hs. Todo esse tempo para fazer apenas 580 Km.
Mas o trajeto é complicado : é neve, depois rípio, depois uma aduana Argentina, uma aduana Chilena, uma Balsa que demora 30 minutos para atravessar o Estreito de Magalhães, mais um pouco de rípio, mais uma aduana Chilena e mais uma aduana Argentina. É mole ???
Meu objetivo é sair daqui amanhã alí pelas 8:30hs e ir em direção à El Calafate. Hoje tomei uma decisão que deve encurtar minha aventura. Vou deixar o Chile para outra viagem.
Inicialmente eu iria conhecer vários locais no Chile, entre eles : Punta Arenas, Puerto Natales, Osorno, Puerto Montt, Puerto Varas, Valdivia, Pucon, Concepcion, Santiago, Vinã del Mar, Valparaíso e algum outro que esqueci.
Mas eu nunca havia ficado mais que 5 ou 6 dias fora de casa. Caramba, como a saudades é algo difícil de lidar Estou com muita saudades da minha esposa e dos meus filhos, mas muita saudades mesmo – tá bom, você pode pensar que é papo sentimentalista, mas é isso que estou sentindo
Então deixo o lado chileno para uma próxima aventura e sigo somente pela Argentina. Isso me faz ganhar, segundo meus rápidos cálculos, uns 8 a 10 dias de viagem. Mesmo assim ainda demoro para chegar em casa. Amanhã quero estar em El Calafate alí pelo meio-dia… espero que não tenha neve nem muito gelo no caminho !
Dormi muito bem a noite passada. Foram mais de 8 horas de sono restaurador. Acordo para o café, que é simples mas suficiente e noto que chove (não neva, apenas chove).
A chuva atrapalha meus planos inicias e aproveito para colocar em dia minhas (bagunçadas) coisas.
Minha programação inicial era visitar o Cerro Castor e o Glacial Martial, mas com o tempo desse jeito, o pessoal me desaconselhou.
Pergunto para a atendente o que se tem para fazer em Ushuaia com um tempo assim. Ela responde “Humm… nada, fica no quarto descansando”. Puxa, ficar no quarto ? Questionei ela sobre os museus, acho que ela nem lembrava. Bom, por ser estilo albergue, creio que os jovens que vão lá nem querem saber de museus.
A chuva diminui um pouco e vira uma neve fina. Penso : Vou me arrumar bem e vou até o Cerro Castor de qualquer jeito. Isso já eram cerca de 11:00hs da manhã.
Faço conforme pensei, mas no caminho do Cerro Castor volta a chover forte e há uma neblina ‘tampando’ a visão de quase tudo. Fico chateado e começo a pensar em ir hoje mesmo para Punta Arenas.
Ando mais um pouco com a Carnival e o tempo não melhora. Tomo a decisão : voltarei para o hotel, pegarei minhas coisas e vou para Punta Arenas.
Chego no hotel por volta de meio-dia e converso com a atendente sobre essa idéia. Ela porém me alerta para algo que eu nem imaginava – também, morando no Brasil, como eu iria imaginar ???
Ela me fala que as condições da estrada não devem estar boas, deve ter neve e gelo, e que seria perigoso sair naquele momento. Talvez o melhor fosse esperar até amanhã.
Pergunto se ela sabe das condições da estrada para amanhã. Ela, muito gentilmente, me indica onde fica o escritório da ‘Defesa Civil’ de Ushuaia e me diz que lá posso conseguir qualquer informação.
São apenas 3 quadras do hotel. Ando em direção ao escritório sem saber o que me esperava… na verdade não tinha nem idéia do que viria pela frente
Chego, me apresento, falo que sou do Brasil e sou recebido muito gentilmente com ‘boas vindas’ – até hoje, ninguém, mas ninguém mesmo me tratou mau, de maneira àspera ou algo similiar. Os Argentinos são muito cordiais com os brasileiros. Pelo menos comigo foram assim até hoje !
Ao conversar com o rapaz da ‘Defesa Cívil’ ele me informa que na Argentina é obrigatório por lei andar com ‘cadenas (correntes)’ em caso de neve ou então com ‘cubiertas con clavos (pneus com uns pequenos cravos)’ e em última hipótese, ‘cubiertas siliconadas (um pneu com composto de silicone, que não funciona muito bem em neve alta)’.
Aí já comecei a ficar temeroso. Pergunto se ele sabe a previsão e as condições da estrada para os próximos dias. Ele pega o comunicado que recebeu e começa a ler para mim : sábado neve e chuva, domingo neve e chuva, 2a neve e chuva… olha para mim e dá uma pequena risada e diz “Pelos próximos 5 dias é para ficar assim”
Quem não rí nessa hora sou eu Pergunto à ele onde posso arrumar uma solução. Ele me indica uma loja onde teria ‘cadenas’. Nessa hora, as ruas já estão com uns 5 cm (ou mais) de neve e a nevasca parece que piora.
Vou até a loja e não tem ‘cadenas’ para rodas aro 17″ (quem mandou comprar um carro grande ?). Porém o proprietário me indica outra onde pode ter.
Para chegar lá tenho que subir uma pequena subida quase que não consigo, a Carnival patinava bastante. Cheguei e estava fechada… costume dos Argentinos, só abriria as 15:00hs.
A neve aumenta e bastante. O vídeo de hoje mostra bem claro a neve forte caindo. Para mim, era uma realizaçao. No dia anterior ví muitas paisagens com neve, e hoje vejo muita neve caindo.
Vou almoçar pensando no que fazer… ah, o senhor da primeira loja me disse que tinha 2 pneus aro 17″ siliconados, pela bagatela de 1.000 pesos cada um. No almoço brinco fazendo cálculos do que é melhor fazer : comprar os 2 pneus ou ficar mais 5 dias em Ushuaia esperando a neve parar
Almoço muito bem. Ushuaia me lembra muito ‘Gramado-RS’, pois tem vários e ótimos restaurantes um ao lado do outro, além de cafeterias, lojas de doces, etc.
Volto na loja dessa vez por outro caminho, para a Carnival não ‘sofrer’ tanto assim. Espero abrir. Abriu. Fico de certa forma ansioso. Tem ‘cadenas’ para aro 17″, pergunto. Sim, me responde o gentil rapaz. Ufa !!!
Não era tão caro como eu (não) esperava 260 pesos o par. Me ajudam e me ensinam a colocar e já deixo na Carnival pois amanhã cedo saio para Punta Arenas. Novamente sou atendido muito gentilmente.
Para não ficar o resto do dia no hotel, vou visitar o Museu Marítimo e do Presídio e o Museu do Fim do Mundo (2 museus). Tiro fotos, filmo alguma coisa, mato o tempo. Veja as fotos e o vídeo de hoje para conhecer esses museus.
Volto pro hotel, falo com a família, termino de arrumar minhas coisas, saio para jantar e me preparo para o dia de amanhã. Não sei o que vou encontrar pela frente – e pelos lados, atrás, em cima, etc Nunca dirigi na neve, nunca dirigi com correntes, não sei quanta neve vou encontrar. Mas meu objetivo é ir até Punta Arenas, no Chile e também Puerto Natales.
Se o tempo estivesse bom, eu até ficaria mais tempo em Ushuaia para conhecer melhor outros locais. Mas quem me conhece sabe que sou ‘ligado em 220 volts’ e não consigo parar quieto muito tempo.
Nao dormi muito bem na minha primeira noite em Ushuaia. Apesar do quarto ser muito bom, é perto da recepção, e como chegam ‘pasajeros’ a toda hora o barulho me incomodou um pouco. Além de tudo, eu estava de certa forma ansioso pelo que viria hoje.
Vou cedo tomar café. Não tem média-lunas apenas pão com dulce de leche ou geléia e alguns cereais. Como é estilo albergue (apesar de eu estar pagando ‘estilo’ um bom hotel), o café é meio “cada um se arruma o seu”.
Porém o atendimento é muito legal… pessoas jovens, sempre sorrindo, prontos a lhe dar uma informação.
Durante a madrugada notei uma ‘chuva’ forte, com ventos. Quando fui tomar café, pedi ao atendente se chovia. Ele falou “não, é neve, muita neve”.
Não deu nem tempo de ele terminar a frase e corri pro quarto pegar a máquina fotográfica e a filmadora. Minha primeira manhã aqui em Ushuaia e neva. Subi a rampa do hotel e cheguei na Carnival (que havia ficado na rua, pois aqui em Ushuaia não existe problema com segurança, segundo todos falam).
Eram 8:30hs da manhã quando encontro a Carnival com uns 5 cm de gelo em toda ela. Que visão linda. Claro que tiro fotos, filmo e tudo mais que tenho direito e ainda estava nevando um pouco forte.
Depois mais tarde fui saber que era a primeira nevasca do ano, e uma nevasca meio forte.
Meu dia estava apenas para começar. Quando saí do hotel em direção ao “Trem do Fim do Mundo” ví toda a cidade coberta de neve. Tudo, onde você olhava, havia neve. Parei em alguns locais para tirar fotos, filmar, e principalmente admirar a paisagem.
Sugiro que você veja o vídeo de hoje (é longo ) e as fotos. Descrever tudo o que eu fiz hoje daria um capítulo de um livro
Basicamente andei no Trem do Fim do Mundo, ví paisagens incríveis, lindas, maravilhosas. Depois, correndo, voltei para a cidade e fui embarcar no Passeio pelo Canal de Beagle. Visitamos a Isla de Los Lobos, a Isla dos Passaros, o Farol e fizemos um pequeno tracking numa ilha onde era frio pra caramba.
Hoje ví neve pelo resto da minha vida Ví coisas que jamais havia pensado que iria ver. No meu coração só há gratidão por tudo o que ví até hoje. 10 dias fora de casa, a saudades da esposa e dos filhos é muito grande. Minha vontade é voltar correndo para eles. Ter uma família é algo maravilhoso, é um lugar de refúgio, seguro, é um abrigo. Minha família é tudo isso e muito mais (ok, você pode estar achando esse papo muito sentimental, mas é isso que eu sinto )
Depois do passeio pelo Canal Beagle, que foi maravilhoso, aproveitei caminhar pela cidade para comprar mais algumas lembranças para o pessoal. Aqui há muuuitas lojas de ‘recuerdos’, porém achei os preços meio caros. Mas vir para Ushuaia e não levar ‘lembrancinhas’ seria o cúmulo
Volto para o hotel cansado, mas feliz e realizado. Tomo um banho e peço indicação de um bom restaurando. Janto muito bem e volto ao hotel. Amanhã minha previsão é passear no Glaciar Martial e conhecer o Cerro Castor. Penso que sábado pelo meio-dia vou embora rumo a Punta Arenas, no Chile.
Acordei um pouco mais tarde, havia conseguido dormir melhor apesar de tudo.
De manhã cedo, prevendo que pegaria muito frio até Ushuaia, me preparei melhor. Coloquei um ‘pijama’ por baixo da calça, 2 meias, minha bota impermeável de motociclista, mais uma blusa, enfim, estava pronto para o frio
O café me surpreendeu positivamente : tinha média-lunas heheheh como para mim basta isso e um bom café com leite, achei bom.
Saí lá fora e encontrei o carro coberto de gelo. Mas gelo mesmo, uma camada fina, mas para mim que nunca tinha visto isso, foi bem interessante.
Eram cerca de 8:30hs quando saí rumo à Ushuaia. Havia uns 6 ou 7 anos que eu pensava em conhecer essa cidade. Animado com a indicação de que veria belas paisagens, fui sem pressa, pois afinal faltavam apenas 230 Km.
Na saída da cidade ‘me perdi’ e pedi informação para um caminhoneiro. Depois de me dar as informações necessárias, ele me advertiu quanto a dirigir no gelo (na cordilheira). Mas eu nunca imaginei que iria pegar gelo nessa época, mas ele me garantiu que sim.
Quando comecei a entrar na parte mais fria da viagem, gelo na pista. Fiz um pequeno teste : pés nos freios. O freio nem funcionava porque o ABS ficava travando e liberando as rodas… caramba. Reduzi para 60-80 Km/h e continuei. Com o tempo fui pegando experiência : nada de freadas bruscas, nada de mudar bruscamente de direcao, enfim, cautela e caldo de galinha
Eram 9:40hs da manhã quando, ao longe, avistei pela primeira vez na vida, ao vivo, a Cordilheira dos Andes. Me emocionei, aqueles montes cobertos de neve… uma visão quase indescritível para mim. Claro que parei, fotografei, filmei e admirei aquela bela paisagem. Mas eu ainda estava longe, muito longe. Como eu tinha tempo, não tive pressa. Onde aparecia algo ‘belo’ aos meus olhos, parava para fotografar e filmar (veja as fotos e o vídeo de hoje).
O frio começava a ficar mais frio eram 10:00hs e o termômetro marcava -7 graus. Imagine um ‘pato-branquela’ num frio daqueles hehehhe Vale lembrar que foi ‘baixando’ devagarinho. Nas fotos de hoje tem a hora e logo depois a temperatura. Isso dá uma noção melhor de como a temperatura foi baixando.
Desse momento em diante, as paisagens começaram a ficar ainda mais bonitas… e eu ainda mais boqui-aberto. Para mim aquilo tudo era novidade, e mais ainda, era a realização de um sonho. E gelo por toda parte, neve. Me diverti muito !
Pouco antes de chegar em Ushuaia alguns lagos (depois fui descobrir que eram o lago Fagnano e o Escondido) e muitas montanhas, belíssimas paisagens.
Quem vem para Ushuaia de avião, normalmente pega uma ‘Van’ para conhecer esses lagos. A viagem demora algumas horas porque é necessário sair uns 70-80 Km de Uhsuaia. Como eu estava indo de carro, conheci eles na ida.
A uns 50Km de Ushuaia somente neve. Eu já imaginava o que me esperava. As montanhas com os picos cobertos de neve, os locais onde o sol não pegava, tudo com gelo. Aluns locais para você parar e apreciar a paisagem.
E na Cordilheira dos Andes, muita curva, muita mesmo. Com gelo na pista, tinha que andar devagar e com muito cuidado.
Depois de fazer 5.773 Km, contando os passeios nas cidades, a volta na Península Valdez; dirigir por volta de 68:45hs horas, cheguei a Ushuaia por volta das 12:00hs. 9 dias fora de casa, 9 dias viajando e isso era somente a ida. No vídeo me emociono um pouco e agradeço a Deus, a minha esposa pelo apoio, aos meus filhos pela compreensão. Enfim realizo um sonho : chegar à cidade mais ao austral do mundo. A cidade que se considera “o fim do mundo”. Por isso o nome de minha aventura “De KIA até o fim do mundo.
No começo da cidade vejo apenas uma parte dela e imagino que ela é bem menor do que eu pensava. Mas logo depois chego realmente ao ‘centro’ e vejo que ela é sim, uma bela cidade.
Eu a compararia com “Gramado” no Brasil, mas com um adicional : onde você olhar, 360 graus ao seu redor, você vê montanhas cobertas de neve. Além, é claro, do mar em sua frente. Isso a torna simplesmente maravilhosa.
Entro na cidade e dou umas voltas. Saio à procura de um hotel. Nisso subo em direção ao Glaciar Martial, a vista é linda. Íncrivel.
Hotéis você encontra de todo o tipo. Fui num que me pediram apenas 178 dólares por uma diária Mas eu não queria gastar tanto assim apenas para dormir. Achei mais 2 ou 3 bons, na faixa de 180 a 220 pesos. Optei por um ‘hostel’ porem com quarto grande, cama de casal, banheiro, calefação, mesa com cadeiras, wi-fi no quarto, enfim, um hotel muito agradável onde você encontra quartos compartilhados por 40 pesos até esse que eu estou (que é o único que não é compartilhado e que possui banheiro privado) por 180 pesos.
Dei entrada no hotel, banho, descanso um pouco e depois saio a pé (estou à 2 quadras da Avenida San Martin, bem na região central da cidade).
Caminho, conheço várias lojas (tiendas), e confirmo ainda mais o ‘estilo’da cidade com “Gramado”. Muitas lojas, muitos locais para comer, enfim, uma cidade turística.
Janto muito bem no “Bodegon Fueguino”. O frio estava forte. Volto para o hotel e pego uma pequena neve, bem fraca. É como se fosse uma garoa em forma de neve.
Chego no hotel cansado mas muito feliz. Amanhã tenho programado 2 passeios : pela manhã vou conhecer e andar no “Trem do Fim do Mundo” e pela tarde vou fazer um passeio de barco pelo “Canal Beagle”.
Minha aventura começou ! De KIA até o fim do mundo. Cheguei, sem nenhum problema até agora, graças à Deus por isso
8o Dia : Puerto San Julian -> Rio Grande
13 de Maio de 2008
Novamente acordei cedo – parece coisa de velho né ?
Arrumei minhas coisas e fui para o café do hotel – lembrem-se : o hotel era bom. Mas graças à Deus o café também era bom para os padrões Argentinos. Tinha ‘média-lunas’, então, para mim, basta umas 6 média-lunas que me contento heheheh
Saí de Puerto San Julian por volta das 7:00hs, com vontade de voltar àquela cidade em outra época para conhecê-la melhor.
O ruim é que minha gripe/dor de garganta havia piorado, e bastante. Também, você entra em um estabelecimento (hotel, restaurante, seja o que for) e a calefação está a toda, quente pra caramba, é preciso que você tire o casaco. Logo depois, quando você vai sair, o frio está de rachar. Quem não está acostumado – como eu – pega um resfriado logo, logo (ou ‘resfrio’ como eles dizem por aqui)
Meu objetivo era tentar ir até Ushuaia… mas eu sabia que seria difícil em função de ter que passar por 4 aduanas/fronteiras (você saí da Argentina, entra no Chile, saí do Chile e entra novamente na Argentina) então pensava em chegar pelo menos em Punta Delgada, cerca de 460 Km de Puerto San Julian.
De Puerto San Julian até Rio Gallegos a paisagem era muito bonita. E o frio também. `
Amanheceu por volta de 8:40hs da manhã com temperatura de 0 grau. No caminho a temperatura tinha baixado para 1 grau e ficou assim um tempo… depois baixou para 0 grau, era a segunda vez na viagem que eu tinha pego uma temperatura tão baixa.
Mas não ficou por isso não… logo depois, às 8:41hs, baixou para -1, puxa, eu não lembro de ter pego -1 andando… mas tinha mais, logo depois, às 8:55hs já estava -2 e ainda tinha mais.
Às 9:35hs a temperatura havia caído para -3 graus. 9:40hs e a temperatua tinha baixado para -4 graus. Era muito frio. Dentro do carro tudo bem, aquecimento ligado, mas lá fora brrrhhhhh
Depois disso a temperatura começou a subir lentamente estabelecendo em torno de 1 a 2 graus.
Cheguei em Rio Gallegos e lá estava frio demais. A temperatura era em torno de 1 a 2 graus, mas o vento era cortante, gelado demais. Queria ter uma idéia de qual era a sensação térmica. Ainda me faltavam cerca de 580 km até Ushuaia, e eu já tinha certeza que não conseguiria chegar lá hoje.
Na saída, peguei novamente um protesto dos ‘petroleiros’. Mas bem quando eu estava chegando eles estavam liberando os carros de passeio. Ufa, que alívio.
Nessas alturas eu já tinha quase decidido parar para dormir em Rio Grande, distante uns 230 Km de Ushuaia pois não queria viajar a noite, e como aqui está escurecendo por volta das 17:30hs-18:00hs, não podia andar muito.
Cheguei na fronteira da Argentina com o Chile e a temperatura estava novamente à -2 graus, mas o vento… caramba…pense num vento frio
Na aduana Argentina tudo tranquilo e rápido. Quando cheguei à aduana chilena demorou um pouco, porém foram bem atenciosos comigo (tiveram paciência) e resolvi tudo rapidamente.
Era cedo quando saí da fronteira com o Chile. Imaginei que conseguiria chegar à Ushuaia. Porém, quando cheguei na Balsa de Punta Delgada, conversei com um senhor que morou em Rio Grande e que conhecia Ushuaia. Perguntei para ele se ele achava que eu poderia chegar até Ushuaia de dia ainda. Ele achou que talvez sim, um pouco de tardezinha.
Porém ele me aconselhou a dormir em Rio Grande e esperar para ir no outro dia, quando tivesse claro, pois segundo ele, as paisagens de Rio Grande até Ushuaia são muito bonitas.
Esperei um bocado de tempo, acho que 1 hora, até fazer a travessia pela balsa e passar o Estreito de Magalhães. Passado para o outro lado, peguei mais uns 30-40 Km de asfalto (acho que foi isso) e depois mais uns 140 Km de ripio. Novamente fronteira do Chile (para sair) e fronteira da Argentina (para entrar). Tudo normal e mais rápido que anteriormente.
Nos 140 Km de ripio bastante animais, bastante aves. Algumas paisagens bonitas. Andando com cuidado, e principalmente, diminuindo a velocidade quando cruzava com outros veículos para as pedras não voarem até o vidro/faróis.
Em Rio Grande bateu um arrependimento de não ter ido até Uhsuaia. Explico : cheguei em Rio Grande por volta das 17:20hs. Seriam mais 230 Km até Ushuaia. Agora, pense numa cidade que não tem hotéis. Tem, mas poucos. Os dois bons estavam lotados. Havia um ‘médio’ que estava lotado também.
Sobrava um velho, feio, e muuuito caro ( 230 pesos ), e um outro mais velho, mais feio, mais sujo por 160 pesos. Caramba, em Puerto San Julian eu havia pago 155 pesos por um excelente hotel.
Andei um bocado e encontrei um ‘hostel’, tipo albergue, quarto pequeno, barulhento, por 130 pesos. Dizem que aqui em Rio Grande, por ter poucos hoteis, eles são caros mesmo.
Como era apenas para dormir, encarei esse hostel mesmo. Saí para comer um lanche (estava cansado, com gripe, dor de garganta) e queria era voltar para o ‘hostel’ e colocar minhas coisas em ordem (fotos, vídeo, relato, etc)
Amanhã nem vou esperar um bom café da manhã… acho que vai ser no máximo torradas com manteiga. Mas vou esperar clarear o dia e vou rumo à Ushuaia.
7o Dia : Trelew -> Puerto San Julian
12 de Maio de 2008
O café da manhã do hotel em Trelew não seguiu o padrão 4 estrelas, mas foi um bom café. Acordei cedo e consegui sair ainda antes das 7:00hs.
Como acordei cedo (novamente) decidi que não valia a pena esperar até as 9:00hs para conhecer Gaiman. Deixei para uma outra hora ou outra viagem. Meu objetivo hoje era chegar a Rio Gallegos, mas como eram 1.200 Km achei meio dificil conseguir.
Quanto mais vou ao sul, mais tarde amanhece. Hoje eram quase 8:00hs quando o sol começou a querer aparecer. Não lembro se já escrevi isso, mas em Ushuaia está amanhecendo por volta de 9:00hs (pense como é bom para domir )
No caminho até Comodoro Rivadavia nenhuma atração… quando fui chegando perto de lá, a paisagem começou a mudar. Parecia um deserto. Grandes monte de areia, a estrada ‘cortando’ esses montes, enfim, achei bem legal a paisagem.
Comodoro Rivadavia é a ‘capital’ do petróleo na Argentina, e eu achei legal ver os poços de petróleo na beira da estrada mesmo (veja as fotos e o vídeo de hoje). Muito poços, espalhados por um grande espaço. Não sei à quantos metros está o petróleo, mas achei curioso porque eu só havia visto em filmes
Mais curioso ainda é saber que lá está com falta de petróleo. É mole ??? Fui abastecer num posto (Petrobrás) e tinha uma fila enorme, mas enorme. Quando chegou a minha vez (uns 30 minutos na fila) o frentista me avisou que somente 50 pesos por pessoa. Fiquei espantado e com medo, mas conversei com ele e ele disse que achava que mais para o sul não havia falta de nafta (gasolina).
O bom é que a gasolina estava barata. A normal estava AR$ 1,44 que dá mais ou menos R$ 0,87. Mas a ‘normal/comum’ está em falta na maioria dos postos aqui na Argentina. Mesmo assim, a ‘super’ estava AR$ 1,75 que dá uns R$ 1,05. Já pensou esse preço no Brasil ? Eu viveria viajando
No caminho entre Comodoro Rivadavia, ainda na cidade, ví o primeiro carro com placa do Chile, um “Aveos” da GM. Ah, eu decidi que não iria ‘entrar’ na cidade e conhecer Comodoro pois queria chegar a Rio Gallegos ainda cedo. Porém…
Na saída da cidade, por volta de 11:00hs, um protesto dos taxistas e remisseiros. Falaram que só abririam ao meio-dia. Bom, nada a fazer a não ser esperar. Aproveitei um posto que havia ao lado e abasteci para completar o tanque. Passaram-se uns 40 minutos e abriram. Fiquei feliz, ‘meno male’ como dizem
Mas minha alegria durou pouco, muito pouco. Uns 3 kilometros à frente, no trevo de acesso principal à cidade, os taxistas/remisseros estavam lá. Tudo parado. Não havia polícia, nem imprensa, nem organização na verdade :-O
Alí foi longe… acho que umas 2 horas e meia. Não tinha o que fazer, ninguém entrava e ninguém saía da cidade. A polícia disse que não podia fazer nada porque era uma “Ruta” nacional, teria que vir ordem da justiça.
A espera foi longa, mas longa… nessas alturas já sabia que não conseguiria chegar a Rio Gallegos ainda durante o dia.
Teve uma curiosidade, uma caminhoneta vinha rápido por uma ruazinha do lado, e não viu uma ‘vala’. Caiu com as rodas traseiras na vala. Foi muito curioso(isso está no vídeo de hoje).
De repente ví um remisseiro falando com alguém e pedi se havia permissão para ir a Rio Gallegos, ele disse “aproveite e vai até lá embaixo que tão deixando passar carros particulares, mas somente por 15 minutos”. Me meti entre alguns carros e consegui sair, mas aí já havia decidido que iria dormir em Puerto San Julian, uma pequena cidade de uns 10.000 habitantes a 360 Km de Rio Gallegos e a 790 Km de Trelew, de onde eu saí.
Meu temor maior era não encontrar um hotel legal em Puerto San Julian, e mesmo um bom restaurante, pois é uma cidade pequena segundo me informaram.
Mas tive uma grata surpresa… a cidade é muito bonita, organizada, limpa. Tem bons hotéis (depois falo mais), bons restaurantes, praças, monumentos.
Existe um ‘caça’ da força aérea Argentina num monumento em homenagem aos mortos na Guerra das Malvinas. Existe também uma ‘nao’ (um barco) que, pelo que me foi contado, saiu dali e foi até a Espanha para comemorar os 500 anos do descobrimento da américa. Achei muito bonito o monumento do caça e a nao.
Fiquei num hotel muito legal… talvez o mais bonito que fiquei até agora. Hotel Bahia, se você passar por Puerto San Julian, não deixe de conhecer. Muito legal !!! O dono é muito atencioso e me indicou um restaurante, “Restaurante Naos” logo ao lado do local onde está a ‘nao’.
Muito bom também… comí um ‘salmão rosado’ com ‘papas al crema’. E barato (o salmão aqui é muito barato, e vai barateando mais conforme você vai descendo pro sul).
De tudo, a única coisa que ‘estragou’ o dia foi a gripe que peguei. E a dor de garganta… por causa do frio e do vento gelado, e eu não estava acostumado, peguei uma senhora gripe.
Da janta volto pro hotel, acesso a internet e falo com o pessoal de casa. Tudo em ordem na minha ausência.
Amanhã saio cedo com destino a, pelo menos, Punta Delgada, mas se der vou até o Ushuaia. Vamos ver o que vai acontecer !
6o Dia : Puerto Pirâmides -> Trelew
11 de Maio de 2008
Na Hospedage não havia café da manhã, e eu nem esperava que houvesse, tamanha a simplicidade da mesma. Eu tinha levado comigo algumas bolachas, barras de cereal, etc. Comi alguma coisa e me preparei para sair.
Eram 8:15 mais ou menos quando eu saí para percorrer a Península Valdez. Minha primeira parada seria a uns 80 Km dali, em Punta Norte.
A estrada é de rípio mas bem boa, larga, plana, quase um asfalto. Dava para andar a 90-100 Km/h sem problemas.
Logo que comecei a andar comecei também a ver belos animais : guanacos, emas, coelhos, ovelhas, cavalos. Uma grande diversidade (veja o vídeo de hoje, está imperdível).
Alguns animais eu consegui fotografar e/ou filmar, mas os coelhos eram muito rápidos
Cheguei na Reserva Faunística Provincial Punta Norte. Tudo deserto, como toda a estrada também. Lá a paisagem é incrível… fazia um vento gelado (mas pense num vento gelado) mas valeu a pena passar frio.
Em Punta Norte, além das paisagens, avistei vários lobos marinhos. Tirei fotos, filmei, perdi meu óculos… ops, é, perdi meu óculos. Havia um ‘binóculo gigante’ e eu precisei tirar o óculos para olhar através dele. Me empolguei tanto que só fui lembrar dos óculos uns 40 Km depois. Foi-se
Tirei umas fotos legais colocando a lente da máquina no binóculo, ficou muito legal (veja as fotos de hoje).
Punta Norte valeu cada KM rodado… eu achei que ontem era o dia onde eu tinha visto mais paisagens bonitas, mas hoje foi fantástico. Ví filhotes de lobos marinhos andando com o pai, vi… bom, depois eu conto
De Punta Norte eu fui até Punta Cantor. Achei que veria elefantes marinhos lá mas não encontrei. Porém um senhor que lá trabalha me falou para ir (a pé) até a ponta de Caleta Valdes (só se chega caminhando) que lá havia alguns elefantes. Pedi se hoje eles estariam lá e ele me garantiu que sim.
Cheguei lá e tinham uns 10 ou 12 ‘lagarteando’ no sol. Eles são enormes; depois ví uma placa onde diz que eles podem chegar a 5m de comprimento. É tamanho pra caramba !
Punta Cantor e Caleta Valdez são locais muito belos… para se visitar com a namorada ou esposa é maravilhos (viu Mari, você não quis vir )
De lá eu iria a Punta Delgada, porém me avisaram que nessa época do ano está fechado pois agora é um local privado – não é mais do governo – e lá funciona um hotel/resort.
Mas eu ainda queria conhecer as Salinas Chica e Grande, e o caminho era o mesmo. Foram mais uns 70 Km até as salinas. Lindas. A Chica, como o nome diz, é a menor, e a Grande é a maior, lógico A Grande está a 42 metros abaixo do nível do mar, e é muito linda. Para mim que nunca tinha visto uma salina, foi muito legal (fotos e vídeos de hoje, ok ?)
Das salinas parti para procurar a Punta Pardelas, que me foi indicada pelo dono da Hospedage. A estrada era estreita, cheia de curvas, bem diferente do rípio que eu havia pego até alí. Mas valeu cada metro
Uma paisagem diferente, com uma formação rochosa adentrando no mar, paredões, enfim, muito bonito. Eu conheço várias praias do Brasil e não conheço nada semelhante.
De lá saí em direção a Trelew. Passei em Puerto Madryn novamente para abastecer e segui viagem. No caminho eu achava que tinha muita neblina, mas depois, no hotel, o atendente me falou que são cinzas do vulcão Chaiten.
Aqui em Trelew, para compensar a noite anterior, escolhi um hotel padrão 4 estrelas, muito bom mesmo. Saí para jantar na “La Estela” e comi um “salmón al rockford”, muito delicioso. Me espantei com o preço. Paguei em dólares. 10 dólares com uma água mineral. É mole ? Um prato delicioso por esse valor… dá vontade de ficar por aqui.
Amanhã não sei ao certo o que vou fazer. Aqui ao lado de Trelew, cerca de 30 Km, tem a cidade de Gaiman, que foi fundada pelos gauleses e dizem ser muito bonita.
A minha idéia inicial era visitar uma (ou duas) colônias de pinguins. Mas eles saíram todos de férias no dia 15 de abril é verdade, dizem que eles ficam lá apenas do dia 15 de setembro à 15 de abril hehehehe. Então como não tem pinguim, talvez eu vá a Gaiman.
Escrevo esse post deitado numa cama confortável… quero dormir bem pois tenho dirigido todo dia. Como não tenho compromisso – e a esposa autorizou – não vou ter pressa de chegar ao Ushuaia.
De qualquer modo eu estou indo… de KIA até o fim do mundo
5o Dia : Viedma -> Puerto Pirâmides
10 de Maio de 2008
Foi só elogiar o hotel ontem que as coisas ficaram ruins. Ou como diz meu amigo Fred “algo errado não está certo”
Eu havia comido a ‘Picada Patagônica’ na janta… pois é, não me fez muito bem. Acordei por volta das 3:30hs da manhã com, digamos assim, um pequeno ‘desarranjo estomacal’ e depois não consegui mais dormir (as vezes acontece isso comigo, principalmente em viagem, fora da minha casa/cama).
Pensei : vou descansar um pouco mais, arrumar minhas coisas, tomar um banho, acessar a internet e depois saio rumo a “Puerto Madryn”, que são 450 Km.
Mas, para minha surpresa, por volta de 3:45hs faltou energia elétrica. Na hora imaginei “A Copel vai resolver isso logo, logo” Mas esqueci que estava indo para o fim do mundo heheheh
Desci e pedi uma água para o atendente e aproveitei para falar da energia elétrica. Ele me disse que havia ligado e falaram que só voltaria as 7:00hs. Puxa, isso me deixou chateado mesmo. O quarto era muito escuro, e tinha faltado luz na cidade inteira, isso mesmo, na capital da província de Rio Negro inteira.
Tentei dormir novamente, mas algo (no estômago) me incomodava Não consegui… esperei, descansei, olhei para as paredes, enfim, não via o tempo passar.
Eram umas 6:15hs da manhã quando o sono estava me vencendo… você não tem idéia do que aconteceu. Disparou um alarme de uma loja em frente o meu quarto. Mas não é como os alarmes do Brasil, que disparam por alguns minutos e depois se desligam e se ‘armam’ novamente. O alarme ficou “sirenando” até a hora que eu sai do hotel, por volta de 8:15hs… e a luz ? Até as 8:30hs quando saí da cidade ainda não havia voltado.
Como a energia estava ‘demorando para chegar’, e como aqui pro sul da argentina o dia amanhece mais tarde (eram umas 7:45hs quando clareou mesmo), resolvi tomar banho no escuro.
Banho tomado, coisas arrumadas, desci para o café. Lembram que eu tinha uma boa expectativa quanto ao café ? Pois é, me decepcionei. Torraditas com mantega ou geleia e dulce de leche. Não sei se pela falta de luz ou pelo costume argentino, mas que foi sofrível foi
Ainda tinha mais (esse post vai ser longo heheheh). A Carnival estava quase sem combustível, e os postos (eu só ví 2) de Viedma não podiam abastecer porque não tinha energia elétrica. Fácil, eu pensei, basta sair para a estrada e abastecer em qualquer posto de beira de estrada.
Na rua pedi informação. Um senhor me sugeriu voltar a Carmen de Patagones, que dava uns 20 Km, e abastecer lá. Paramos um taxista que nos informou que Carmen de Patagones também estava sem energia elética. Na estrada, o único posto ficava a 180Km dali, em San Antonio do Oeste. Caramba… isso era pra ‘derrubar o cabloco da ceifa’
Mas eu não tinha muita opção não. Calculei que o combustível, se eu andasse no máximo a 110 Km/h, daria. Arrisquei e deu tudo certo em relação ao combustível.
Na estrada, apenas uma paisagem um pouco diferente. Mais subidas e descidas (leves) e mais curvas. Quanto mais ao sul, mais parece um deserto. Tem locais que é pura areia mesmo.
Interessante que peguei um frio danado… o termômetro da Carnival marcava 2 graus lá fora e continuou assim por um tempo, depois caiu para 1 grau e ficou mais um tempo assim, depois caiu para 0 graus, isso mesmo, 0 graus e eu estava a uns 1.900 Km de Ushuaia ainda
Ficou nos 0 graus por um bom tempo e depois começou a subir… eram umas 9:30hs quando o sol começou a aparecer pra valer e começou a esquentar.
Meu destino era Puerto Madryn e cheguei lá por volta das 13:30hs. Tem um mirante antes de chegar na cidade, de onde se vê toda a região. Muito bonito o local (veja no vídeo de hoje).
A cidade é bonita, na beira do mar, mas ela não me ‘atraiu’ tanto como Mar del Plata, por exemplo. Na verdade estranhei a cidade meio deserta, lojas quase todas fechadas. Tudo bem que é sábado, não é temporada etc, mas achei que a cidade era mais atrativa.
Antes de qualquer coisa fui almoçar. E sempre me falaram para comer a tal “parillada”, porém eu nunca tive coragem. Mas vir para o fim do mundo e não experimentar isso seria o fim da picada Pedi 1/2 parillada, provei tudo mas nao comi quase nada. Interessante é que é uma comida típica… eram 14:00hs e tinha ao meu lado um casal (novo) comendo parillada e mais ao lado 2 senhores comendo… parillada também. Deve ser como o nosso ‘churrasco’ para ‘los hermanos’.
Fui no centro de informações turísticas e me informei sobre o que havia para se ver, conhecer. Museus, e de velho chega eu
Tinha um EcoCentro (um centro de informações e algumas atrações marítimas) e uma reserva de lobos marinhos. Devido à isso, fiquei com vontade de visitar esse locais e depois ir até Puerto Piramides (cerca de 80 Km) e dormir lá. Puerto Pirâmides já é dentro da Península Valdez.
O EcoCentro é legal mas não é assim uma “Brastemp” Veja o vídeo e as fotos de hoje para conhecer melhor.
Porém, a Reserva Faunística Provincial de Punta Loma me encantou. Que lugar lindo, eu nunca tinha visto algo assim. Dezenas de lobos marinhos, passáros, um cenário encantador. Só vendo para crer Veja no vídeo de hoje.
A estrada até a reserva é de rípio, como se fosse um cascalho nosso, porém são ‘pedras de rio’ então é tranquilo… e nesse caso eram somente 12 Km.
Filmei e fotografei a reserva e decidi, enfim, que iria a Puerto Piramides para dormir lá. Abasteci e rumei para Puerto Piramides.
Lá entrei na Reserva da Península Valdez. Ví muitos animais diferentes, mas o melhor ainda estava por vir. Chegando em Puerto Piramides tem um ‘mirador’ onde se vê parte da ‘praia’ e da cidade. É uma paisagem muito bonita mesmo.
Entrei na ‘cidade’ (na verdade imaginei que era um pouco maior hehehehe), achei uma ‘hospedage’ simples, fui num ‘locutorio’ acessar a internet e agora estou deitado na cama escrevendo esse (longo) post.
As paisagens que ví hoje valeram esses 5 dias de viagem. Acho que algo mais belo me espera mais ao sul.
Amanhã quero sair cedo e percorrer toda a Peninsula Valdez. São 280 Km de rípio, com algumas paradas bem interessantes. Peguei informação com o dono da ‘hospedaje’ sobre alguns locais que não estão nos mapas/guias.
Depois, penso em sair daqui em direção a Trelew onde quero pernoitar, para no dia seguinte visitar uma reserva de pinguins.
Até aqui a viagem está sendo muito legal, está valendo a pena. Ainda tenho muita estrada pela frente, tanto na ida quanto na volta.
Apenas a saudades da esposa e dos filhos que é muito grande. Se meu objetivo não fosse Ushuaia, acho que voltaria amanhã para casa… mas eles entendem e eu aguento
Amanhã conto como foi o passeio. Acho que vai ser divertido !
Hasta luego !!! (meu espanhol está melhorando dia após dia )
4o Dia : Mar del Plata -> Viedma
09 de Maio de 2008
O café da manhã no hotel “Punta Del Este” em Mar del Plata estava muito bom (isso mesmo, o Hotel tem o mesmo nome da cidade Punta Del Este no Uruguai ). Puxa, como esse hotel é legalzinho. Dormi muito bem à noite, acordando somente as 7:30hs. Meu objetivo inicial era ir até Bahia Blanca, mas conversando com o gerente do hotel, ele me indicou ‘esticar’ mais um pouco e ir até Viedma.
Nada de muito interessante no caminho. Passei e entrei em “Três Arroyos” para conhecer a cidade… caramba, que cidade ‘plana’. Eu nunca tinha visto uma cidade plana desse jeito. No início da avenida você olhava e não via o fim dela. Bem interessante.
Como toda cidada argentina (que eu visitei), é uma cidade antiga, com construções bem legais. Parei num posto para abastecer e resolvi fazer um lanche ali mesmo. Também aproveitei para dar uma ‘esguichada’ na Carnival pois estava bem empoeirada.
O pessoal do posto foi muito gentil, me atenderam super-bem, fizeram perguntas e coisas assim. Na verdade onde paro o pessoal fica olhando, também, com um ‘carrinho’ desses e do Brasil, só pode despertar curiosidade mesmo.
De Três Arroyos rumei para Bahia Blanca. No caminho mais ‘protestos’ dos agricultores – acho que já passei por uns 10 até agora. Mas a organização deles é nota 10 Dessa vez a estrada estava fechada, porém uma mulher ia de carro em carro dizendo “Em 5 minutos iremos abrir” e agradecia pela colaboração… sério, tenho isso filmado. Ela ia andando e passava de carro em carro; e realmente não deu 5 minutos e eles abriram a estrada.
Sabe que a Argentina está mudando meus conceitos ? Puxa, tem tanta coisa que eles fazem que o Brasil podia ‘copiar’. Mas muita coisa mesmo, nas estradas, nas cidades, na segurança, na educação. Fui muito bem tratado por todos até aqui – tudo bem, é o 4o dia, mas acho que vai ser assim até o final. E como acabou a polícia corrupta, você anda tranquilo, sem stress.
Bahia Blanca é uma cidade grande, relativamente bonita, mas me parece que não é uma cidade turística – assim como Pato Branco, minha cidade, também não é uma cidade turística
Em Bahia Blanca passei pela KIA… ia parar para ver se a Carnival daqui é igual a minha, mas deixei para a volta… porém a volta era por outro caminho
Novamente a polícia foi muito gentil… o policiamento na Argentina está muito bom, tem polícia por todo o lado e isso me dá segurança.
Uma coisa que me chamou a atenção desde o começo e eu fiquei observando : aqui as ‘rotondas’ (rotatórias) são ‘ao contrário’ do Brasil. Explico : no Brasil, quem está na rotatória tem a preferência, correto ? Aqui não, quem está na rotatória tem que ‘ceder el paso’ ou dar a preferência. Isso serve de alerta pois levei um susto em Resistência e depois de lá comecei a me cuidar.
Cheguei em Viedma as 17:30hs. Ë uma cidade na beira de um rio – Rio Negro – e os Argentinos aproveitam bem as margens dos rios por aqui, tudo com calçadão, bancos, passeios, etc. Viedma é a capital da província de Rio Negro, e o próprio rio faz a divisa entre “Carmen de Patagones” com “Viedma”.
Cidade como as outras, porém me parece ser mais nova que as anteriores. Achei um hotel muito bom, acho que o melhor que fiquei até agora. Móveis novos, wi-fi rápida, banheiro bonito, mesinha com cadeira – isso é muito importante para escrever os posts no meu note
Sai para jantar no restaurante “Capriasca”. Fantástico !!! Comi um “Picada Patagônica”, que é basicamente uma ‘tábua’ com queijo, azeitonas, salame, salmão defumado e tipo uma ‘copa’. Muito bom o restaurante. Recomendo !
Ah, comprei um “Guia Patagônico 2008″, com dicas de todos os locais turísticos da Patagônia. Lugares para se visitar, para comer, hotéis, história das cidades, etc. Acho que minha viagem vai se estender um pouco mais
Detalhe que eu não sabia : o povo argentino janta tarde. Cheguei no restaurante as 20:00hs e estavam apenas começando a arrumar as coisas. Em Resistência eu havia descido para jantar as 19:30hs e o rapaz do hotel falou “Mui temprano” ou seja, muito cedo para jantar, mas em Resistência eu havia apenas feito um lanche.
Em Mar del Plata algo semelhante aconteceu. Saí para jantar numa “Tratoria” muito bonita, porém cheguei lá as 20:00hs e a atendente me falou que começariam a servir apenas ali pelas 20:30-20:45hs. Hoje cheguei a conclusão que, pelo comércio sempre trabalhar até as 20:30-21:00hs, é normal o povo jantar mais tarde (pelo menos nessas cidades que eu passei).
Retornei ao hotel e escrevo esse post enquanto as lembranças estão fresquinhas.
Espero que o café deles seja no mesmo padrão. Amanhã vou até Puerto Madryn. Lá, pelo que pesquisei, tem bastante coisa para se fazer e devo ficar 2 dias por lá (se bem que eu mudo de idéia muito fácil hehehehe)
Por hoje é só. Amanhã conto como foi o café da manhã e minha chegada a Puerto Madryn.
3o Dia : Buenos Aires -> Mar Del Plata
08 de Maio de 2008
Nem esperei o café da manhã no hotel em Buenos Aires… pelo ‘padrão’ do hotel já imaginei o ‘padrão’ do café… e eu teria que esperar uns 45 minutos para tomar café.
Ao invés disso, voltei à lanchonete onde estava na noite anterior e tomei um café com croissants.
Pronto, podia seguir viagem.
Saí de Buenos Aires por volta das 7:30hs. Como no dia anterior eu tinha andado muito, e como já conhecia Buenos Aires da minha viagem anterior ao Uruguai, decidi ‘ganhar’ um dia indo direto com destino à Bahia Blanca. Depois soube que minha decisão havia sido muito boa
Deixa eu comentar uma coisa : sabe qual a palavra mais ‘estranha’ que aprendi até agora ? Sorbete… você sabe o que é ‘sorbete’ ? Não ? É o ‘canudinho/canudo’ para tomar refrigerante. Eu realmente não sabia… claro que sabia que ‘helado’ é o nosso picolé/sorvete, mas nunca imaginei que ‘sorbete’ fosse canudinho.
No caminho de Buenos Aires até Mar del Plata (que eu iria parar apenas para conhecer a cidade) peguei frio de 4 graus… andei bastante tempo com a temperatura na casa dos 5 graus. Interessante que na região de Posadas estava 31 graus. Mas depois esquentou e viajei o restante do tempo com a temperatura entre 15 a 18 graus.
A estrada de Buenos Aires até Mar del Plata (Autovia 2) é muito boa… pedagiada, mas como já falei, o pedágio aqui é muito barato.
Chegando em Mar del Plata tomei uma decisão : iria ficar aqui hoje e conhecer melhor essa cidade. Linda, diga-se de passagem. Fiz apenas 420 Km hoje, mas valeu muito a pena.
Primeiro porque a cidade é muito bonita, mesclando a parte nova (basicamente a beira-mar) com a parte velha (o ‘centro’ da cidade).
Segundo porque descobri várias ‘atrações’ aqui… colônia de lobos maritímos, aquarium – que estava fechado, uma pena – praias lindas, locais muito bonitos.
Encontrei um hotel bom, com internet, quarto amplo, enfim, muito bom por um preço menor que o de Buenos Aires, apenas AR$ 110,00 com ‘desayno e cochera’ incluso Como eu não dormi muito bem nas noites anteriores, hoje quero dormir muito bem porque ainda tenho muito ‘chão’ pela frente. Eu já estou à uns 2.300 Km longe de casa.
Hoje eu andei bastante… é melhor você olhar as fotos e o vídeo do dia de hoje. Muitos locais legais para se conhecer… eu voltaria para cá sem pensar duas vezes. Veja o vídeo do dia de hoje, é longo mas vale a pena
Ah, e fui no “peatonal” passear. Você não sabe o que é “peatonal” ??? Não acredito É o ‘calçadão’ deles. Fui no San Martin, o maior – ou único ? – da cidade. Muito legal. Dizem que Mar Del Plata é a capital nacional do pulover. Tinha muitas lojas de roupas, muitas mesmo (olhe os preços de algumas coisas nas fotos).
Almocei e jantei no “Manolo”, um excelente restaurante com um ótimo atendimento. Recomendo ! Tem fotos na galeria de fotos, veja.
Ah, tem um cassino ‘provinciano’ muito grande, bonito. Joguei um pouquinho ganhei 75 pesos no final (já pagou a janta) !
Escrevo esse post deitado na cama, cansado pra caramba, mas muito feliz. Já conheci locais que nunca imaginei conhecer, e sei que tem muito mais para mim conhecer
2o Dia : Resistência -> Buenos Aires, passando por Santa Fé e Paraná
07 de Maio de 2008
O café da manhã no hotel em Resistência era ‘padrão argentino baixo’ hehehe. Como é estranho o costume dos ‘hermanos’ em relação ao café da manhã. Enquanto no Brasil o café da manhã é um atrativo do hotel, aqui na Argentina parece que eles não fazem nenhuma questão de servir um farto café. Mas comi alguma coisinha (coisinha mesmo) e me arrumei para sair.
Eram 6:45h da manhã quando saí de Resistência. Minha idéia inicial era ir até Santa Fé, conhecer o túnel que liga a cidade de Santa Fé e Paraná – túnel esse que passa ‘por baixo’ do Rio Paraná – e depois tocar até Rosário para dormir lá.
De Resistência em diante já se começa a ‘pegar’ as grandes retas… e a gasolina parece-me que vai baixando de preço quem liga para quanto gasta uma Carnival ?
Novamente a “Gendarmeria Nacional” me pára… pede documentos, verifica tudo e me libera. Nem parece a Argentina que me fez ‘sofrer’ tanto na minha viagem ao Uruguai/Argentina de moto (veja em www.viajantesolitario.com.br). Ofereci 2 canetas de brinde/recuerdo para o policial que me parou e ele me disse “Agradeço, mas não posso aceitar !”. Fiquei pasmo ! A Argentina está voltando a ser um ótimo destino para quem quer viajar de carro, conhecer novos lugares e economizar.
Lembro-me que, ao passar a fronteira de Dionísio Cerqueira com a Argentina, um policial argentino me falou que o governo ‘tirou’ toda a polícia corrupta das rodovias, ficando apenas a “Gendarmeria Nacional”. Parabéns ao governo, e eu espero que continue assim. Até aqui totalizo 5 paradas pela polícia e nenhum pedido de propina – nenhuma complicação, devo salientar.
Vale registrar o preço dos pedágios por aqui. O mais caro até agora foi de AR$ 2,40 mas a média é em torno de AR$ 1,60-1,70. Teve local onde paguei AR$ 0,90 e até um de AR$ 0,50. Se você lembrar que R$ 0,60 compram 1 peso argentino, vai concordar que o pedágio é muito barato. Para efeitos de comparação, de Pato Branco-PR até Curitiba-PR são 430 Km com CINCO pedágios, com valor médio de R$ 6,00 CADA um. Que diferença… isso sem contar que as estradas por aqui são muito boas.
Passei por Santa Fé e Paraná. Almocei em Paraná e achei a cidade linda. Muitas construções antigas mas muita parte ‘nova’ por assim dizer. Paraná fica na beira do rio que leva o mesmo nome. Tem um calçadão (ou ‘peatonal’ como ‘los hermanos’ dizem ) que corre boa parte da beira do rio. A cidade fica mais acima, com muito verde e muitas praças. Gostei muito de Paraná, parece-me ser uma cidade que vale uma visita mais demorada. Mas como meu destino é o “fim do mundo”, tenho pressa em chegar lá.
Voltei à Santa Fé para ir à Rosário pela “Ruta 11″. Muitas retas. Como disse, minha idéia inicial era ir até Rosário e dormir lá, porém quando cheguei não eram nem 17:00hs… pensei “vou até Buenos Aires e ganho um dia”. Meu erro foi não ter seguido a recomendação número UM de todo viajante ‘sem destino’ : chegar na cidade ainda de dia para encontrar hotel com mais facilidade.
Cheguei em Buenos Aires por volta das 19:45hs. E descobri uma solução para os grandes engarrafamentos de São Paulo : buzinar. Isso mesmo, ‘los hermanos’ gostam muito de buzinar. Um engarrafamento enorme e, de tempos em tempos, todo mundo buzinava. Pensei : Isso deve acelerar o engarrafamento Já peguei engarrafamento em São Paulo várias vezes, mas nunca ví tanto ‘buzinaço’ assim. Lembrando dos eventos das ‘paneladas’ chego a conclusão que o povo argentino gosta é de fazer barulho.
Achar um hotel com vaga mereceria um capítulo à parte. Os bons estão custando o ‘olho da cara’ e em dólares : 230 dólares, 145 dólares… mas isso para hotéis que no Brasil (São Paulo) se paga no máximo R$ 150,00 a R$ 200,00 (para uma pessoa).
Os mais simples (alguns muuuuito simples) estão por volta de AR$ 130-140… e tem hotel velho, feio, pedindo de AR$ 300 a AR$ 400 por uma noite. Assim não dá !!!
Resolvi deixar o carro num estacionamento e sair a pé procurando um hotel. Fiquei muito próximo da Av de Mayo com a 9 de Julho, então tinha várias opções na região. Caminhei por mais de 2 horas tentando achar a equação perfeita entre ‘custo e benefício’ mas estava difícil. Depois de procurar muito, achei um hotel razoável, limpo, bem organizado, por apenas AR$ 130 pesos (mesmo assim achei caro).
Dei entrada no hotel com um pensamento : como caminhei por mais de 2 horas e conheci vários locais, e como já conhecia Buenos Aires da minha viagem ao Uruguai, decidi que iria embora já pela manhã para ganhar mais tempo ‘lá no fim do mundo’.
Termino a noite escrevendo esse post numa lanchonete com wi-fi, e com uma boa comida… e o melhor, lanchonete 24 horas, então posso ficar aqui até amanhecer
Amanhã meu objetivo é ir até Bahia Blanca, uma cidade de 300.000 habitantes que fica à uns 850 Km de Buenos Aires. Quero chegar cedo para encontrar um hotel melhor
PS : Algo que me chamou a atenção foram os ‘protestos’ dos agricultores daqui. Pense num pessoal organizado. A polícia sempre estava antes e depois de cada local de protesto, os agricultores todos com ‘coletes refletivos’, faixas, etc, mas ninguém segurando o trânsito – pelo menos até agora. Todos do lado da estrada, fazendo seu protesto com ordem. Peguei 3 ou 4 protestos desses desde Resistência até aqui.
1° Dia : Pato Branco -> Resistência
06 de Maio de 2008
Eram quase 6 da manhã quando eu sai de Pato Branco. Depois de uma noite (muito) mal dormida – talvez pela ansiedade da viagem – resolvi antecipar meu horário e sair mais cedo.
Cheguei na fronteira do Brasil com Argenina (Dionísio Cerqueira com Bernardo de Irigoyen) as 7:15hs. Trâmites da aduana feitos, esperei um bocado para o comércio abrir pois necessitava comprar o ‘dito’ Kit de 1os Socorros (argentino). Feito isso, troquei alguns reais por pesos argentinos, comprei algumas barras de cereal e ‘rumo ao fim do mundo’
A estrada até Monte Carlo (AR) é um pouco ruim, cheia de curvas, buracos (nada grave, mas não lembra em nada as retas enormes que a gente vê na Patagônia). Depois de Monte Carlo a coisa começa a melhorar… na região de Posadas então começam as grandes retas… chega a dar sono.
Com a polícia, nenhum problema. Me pararam a primeira vez e só olharam o visto… numa outra parada havia uma blitz, cerca de 6 policiais. Foram educados e gentis, mas deram uma geral em todo o carro. Olharam malas, sacolas, fizeram várias perguntas… mas sempre educados e gentis. Apesar de ter levado cambão, kit de 1os socorros, 2 triãngulos, “fósforo” e tudo o mais, não me pediram nada. Alívio
Tudo certinho, rumei para Resistência, minha primeira parada.
Com a estrada boa, coloquei o piloto automático da Carnival nos 130 Km/h e relaxei… quase relaxei demais tinha horas que o sono pegou.
Passei por Corrientes, uma cidade à beira do Rio Paraná (se não me engano o Rio Paraná ‘recomeça’ na Hidrelétrica Itaipu) e muito bonita às suas margens. Uma bela ponte separa Corrientes e Resistência (e também as províncias de Corrientes e Chaco).
Resistência é a Capital da Província del Chaco. Uma cidade que se orgulha das centenas de ‘esculturas’ que tem espalhada por suas praças (e olha que são várias). Sua população é de mais ou menos 300.000 habitantes, e apesar de ser uma cidade relativamente grande, ela mescla o novo e o velho. É comum ver carroças puxadas por cavalos nas ruas. Mas eu gostei da cidade, achei legal.
Encontrei um hotel antigo mas muito bom, com um ótimo atendimento, limpo, internet wi-fi, café da manhã, ‘cochera’ coberta, enfim, um hotel legal e não tão caro – 160 pesos para uma pessoa, com tudo incluso. Se você calcular que R$ 0,60 vale 1 peso argentino, não é tão caro.
No hotel, notebook ligado e vamos nos comunicar com a família… coloco as novidades em dia e saio para comer alguma coisa.
Na rua do hotel tem vários restaurantes, opto por um café/lanchonete. Comi uma “Hamburguesa” e um “café com leche e média-lunas”. Ah se no Brasil tivesse “média-lunas” assim… excelentes !!!
Uma das coisas que achei interessante foi o horário do comércio. A maioria das lojas abre das 8:00hs as 13:00hs e depois somente das 17:00hs as 21:00hs. Ví uma ou outra loja que abre das 16:00hs às 20:00hs. Pergunto : e quem estuda a noite, trabalha como ?
Retorno para o hotel para escrever esse post… meu objetivo é escrever toda noite para as lembranças estarem fresquinhas.
Não tirei muitas fotos hoje porque não há muito o que fotografar nesse trajeto, e o mesmo vale para o vídeo.
Agora vou descansar… amanhã meu objetivo é ir até Santa Fé, mais ou menos 530 Km daqui.
Eu nunca havia ficado mais do que 5 ou 6 dias fora de casa. Foi ilusão achar que ‘aguentaria’ mais de 30 dias
Mesmo assim, fiz uma viagem muito legal… meu objetivo principal era ir até “o fim do mundo” e também conhecer o Glacial Perito Moreno. Cumpri esse objetivo e ainda tive alguns ‘bônus’.
Veja abaixo como ficou o meu roteiro final – se você clicar no mapinha, abre um mapão :
Inicialmente eu pensava, com certeza, que ficaria de 30 a 40 dias fora. Eu achava que a saudades da família – lembre-se, eu viajei sozinho – não seria tão grande.
Por isso, fiz um roteiro que incluía o maior número possível de lugares para se conhecer nesse período. Minha volta estava programada para, no máximo, dia 12 de Junho de 2008.
Abaixo, apenas como curiosidade, você pode ver qual era a minha idéia inical de locais/lugares para conhecer :
Pato Branco -> Resistencia (+- 780 Km)
Resistencia -> Santa Fé / Paraná (+- 540 Km)
Santa Fé -> Buenos Aires (+- 475 Km)
Buenos Aires -> Bahia Blanca (+- 890 Km)
Bahia Blanca -> Puerto Madryn (+- 750 Km)
Puerto Madryn -> Comodoro Rivadavia (+- 440 Km)
Comodoro Rivadavia -> Rio Gallegos (+- 780 Km)
Rio Gallegos -> Ushuaia (+- 580 Km)
*** Começo a voltar ***
Ushuaia -> Punta Arenas (+- 650 Km)
Punta Arenas -> Puerto Natales (+- 250 Km)
Puerto Natales -> El Calafate (+- 375 Km)
El Calafate -> El Chalten (+- 230 Km)
El Chalten -> Comodoro Rivadavia (+- 1.200 Km)
Comodoro Rivadavia -> San Carlos de Bariloche (+- 860 Km)
San Carlos de Bariloche -> Vila de La Angostura (+- 80 Km)
Vila de La Angostura -> San Martin de Los Andes (+- 100 Km)
Aprendi que cada viagem é uma viagem. Que a experiência e o estilo da minha viagem pode ser (e normalmente é) bem diferente da sua viagem.
Meu objetivo com esse blog não é que ele seja um ‘roteiro’ para você, nem que sirva como parâmetros para sua viagem.
Eu conheci casos onde a pessoa viajou com um gasto de US$ 30,00 por dia. Também conheci casos onde uma família inteira viajou de carro, e claro, gastando muito mais que isso.
Por isso esse ‘blog’ não tem valores de diárias de hotéis (na maioria), não tem resumo de gastos diários com alimentação, não tem valores de combustíveis.
Na verdade, o que quero é mostrar para você um pouco do que ví e conheci nessa viagem. Espero que você curta as fotos, os vídeos e os relatos.
Resumindo, esse ‘blog’ tem como objetivo final ser uma fonte extra de pesquisa para a sua viagem.
Há muito tempo eu sonhava em conhecer Ushuaia, conhecida também como a “Tierra del Fin del Mundo”, localizada na Argentina, mais especificamente na região da Patagônia Austral, na Província da “Tierra del Fuego”.
No ‘caminho’ de minha cidade (Pato Branco-PR) até Ushuaia, você passa por várias cidades e locais muito conhecidos… mas meu objetivo sempre foi ir até Ushuaia e conhecer o máximo de locais possíveis (El Calafate, El Chalten, Puerto Madryn, Puerto Piramide, Puerto Montt, Osorno, etc).
Inicialmente preparei um roteiro que incluía Chile, região de Bariloche e região de Mendoza, mas, por motivos de ‘saudades’ de casa, tive que abreviar minha viagem. De 30 a 35 dias programados, foram apenas 18 viajando
Mesmo assim valeu muito a pena. Foi um tempo muito legal, conheci locais que jamais imaginava conhecer dessa maneira.
Minha saída foi no dia 06 de Maio de 2008, e meu retorno dia 24 de Maio de 2008. Foram 18 dias e “meio” viajando, onde fiz mais de 11.500 Km, sozinho (bom, não exatamente sozinho… se você quiser saber mais sobre isso e sobre o que eu creio, clique aqui ) e com muitas coisas legais para ver. Muito tempo para pensar, para recarregar as ‘baterias’, enfim, foi um curto – mais proveitoso – período ‘sabático’.
Escolhi como ‘nome’ da minha aventura “De KIA até o fim do mundo” pois viajei numa Kia Carnival, comprada há pouco tempo. Um carro fantástico, maravilhoso, com espaço para 8 passageiros mas que foi vazia, apenas comigo !
Para tornar minha “aventura” mais legal – e mais visível – criei esse blog. Espero que ele seja útil para futuros viajantes além de ser um repositório para o dia-a-dia da minha viagem.